(Source: jybeliever)
Zarparia daqui, mas o cabelo é uma floresta de emboscadas e ciladas. A sobrancelha nos acalmaria, quando for macio e plano. Os lagos negros dos olhos são perigosos para nosso navio, ser atraído para dentro deles poderia ser um naufrágio. O nariz parece o primeiro meridiano, nos levando direto para a Ilha dos Afortunados, os lábios cheios. Ancoraria aqui e ouviria a música das sereias. Então prosseguiria velejando, passando a gloriosa escarpa do queixo. Podemos encontrar algumas ilhas enquanto viajamos para baixo, ao redor da sua Índia. E paramos sobre o umbigo atlântico, onde a corrente carrega nosso capitão para outra floresta, na qual muitos naufragaram e nunca mais foram além dali.
If by my life or death I can protect you, I will.
(Source: glorfindels)
(Source: lacewings)
(Source: j22896)
Noite, fria como o inverno. A lareira acesa crepitava e quebrava o silêncio mórbido que perdurava no ambiente. Iluminado por uma luz vacilante, sentado, observava pela janela. O movimento da rua abaixo era nulo, um nada, apenas a lua brilhava no horizonte. Então, um súbito de inspiração. Pegou o lápis, as palavras saltavam em sua mente, fervilhavam, pôs o lápis no papel, e então, branco. Como a rua que estava a observar, um nada. O mesmo silêncio anterior reinava.
Tomado de tristeza, levantou-se, andou até sua adega, entalhada na mais nobre madeira, e fitou-a. Os detalhes em si eram tão finamente trabalhados que pareciam ter vida própria. Abriu o vidro que mantinha a adega na temperatura não mais do que ideal, e admirou. Vinhos das mais diversas safras e qualidades, mas todos tintos, não lhe agradavam os brancos. Escolheu um especial, safra de 1945, uma raridade. Trinta mil dólares cada garrafa. Serviu-se de uma taça. Três quartos de uma, na verdade. Balançou-a levemente e sentiu o agradável cheiro, aromatizando o ar. Degustou uma pequena porção, segurou por um tempo na boca e engoliu. A sensação era inacreditável. Suave, mas seco o suficiente para proporcionar o leve ardor agradável na garganta. Sentiu-se aliviado, como se o maior peso do mundo fosse retirado de suas costas. Fitou a taça por mais um tempo, e então, mais um longo gole. Percebeu que logo chegaria ao fim, e resolveu encher a taça mais uma vez, mesmo levando em conta o preço do vinho. Segurou a garrafa do Chateau Mouton Rothschild e mais uma vez, se pegou admirando-a. Serviu mais uma taça e tampou o vinho. Guardou-o na adega e sentou-se novamente.
Mais um gole de seu pequeno paraíso terrestre e começam-se os pequenos devaneios sobre sua amada. Lembrou-se de seus cabelos, seus olhos, seu sorriso. Jamais havia tocado seus lábios, mas sua perfeição era evidente no olhar. Seus seios, ah, seus seios, como queria possuí-los, duas ilhas que despontavam na mais bela paisagem corporal. Também havia a barriga, e logo abaixo, algo que superava todos os vinhos conhecidos, com certeza, o maior dos prazeres desse mundo. Sem erros, apenas perfeição. Todos os defeitos, que não eram muitos, só a tornavam mais perfeita. Amava-a, não havia melhor palavra para descrever o que sentia. Então, de súbito, como uma mistura dos efeitos do vinho e de seus devaneios, sua inspiração retorna. Sabia o que escrever, sabia como escrever, e dessa vez, escreveu…